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| Imagem de capa: Mary Gomes |
A missão era nobre, fazer uma vistoria mais de perto, para saber como anda a situação tanto da Foz do Rio Iguaçu, como também a do Rio Sarapuí na Chegada a Baía da Guanabara, região prevista para receber ações do Projeto Iguaçu Novo PAC, a partir de abril de 2026.
Segundo Rogerio Gomes, que fez parte do CAO/Rio Iguaçu na 1ª fase do Projeto Iguaçu em 2009, muito se falava daquele local nas reuniões e de sua suma importância para a boa drenagem dos Rios da Baixada, neste caso os Rios Iguaçu, Sarapuí e do Rio Botas, que é um afluente do Rio Iguaçu e que drenam boa parte dos municípios de Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis, São João de Meriti, Belford Roxo e Duque de Caxias. Prof. Paulo Canedo da COPPE/UFRJ sempre orientou que mesmo que os munícipios a montante destes rios, fizessem o "dever de casa", ou seja, fizessem as obras em seus territórios, se aquele trecho estivesse assoreado iria comprometer todo o resto e consequentemente impactar no resultado final pois somando o fator assoreamento da Foz desses rios e o desse trecho iria causar um gargalo que retardaria a saída dessas aguas para a Baia da Guanabara, piorando a situação ainda mais, se nessa ocasião a baia estiver em época de maré alta, que normalmente da retorno das águas destes rios em até 15 KM, PREJUDICANDO CONSIDERAVELMENTE a drenagem da região em época de fortes chuvas como já mostraram inúmeras reportagens e estudos técnicos.
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| Mary Gomes fez os registros de imagens da expedição. Foto: Rogerio Gomes |
Pelo trajeto pudemos perceber o avançado estado de assoreamento com as margens tomadas por "praias de lama, lixo e óleo", onde se vê de tudo, camas boiando, muitos pneus, carcaça de maquinas de lavar, garrafas, que por sinal até vimos uma pescador com seu barco recolhendo recicláveis, que segundo o Sr. Gilciney Gomes Presidente da Colônia de Pesca de Duque de Caxias, que nos guiou nessa expedição, fazem isso pra complementar sua renda, já que devido ao assoreamento dos rios e a poluição, a atividade de pesca ficou ainda mais escassa e difícil, pois eles ( os pescadores) precisam esperar a maré alta para poderem passar com seus barcos a cerca de "um palmo de água" do solo, pasmem, quase ficando encalhados, dai seguem para a Ilha do Governador e redondezas onde fazem a pesca e aguardam a maré subir novamente para passarem pelo trecho e seguir pra casa, atividade que pode ser feita até mesmo nas madrugadas, se quiserem chegar em casa. Que luta ein!
Assista o Vídeo da Expedição:
Chamaram a atenção duas coisas, ou momentos, a primeira foi o encontro dos Rios Iguaçu e Sarapuí, onde percebemos logo de cara a cor da água que mudou drasticamente saindo de uma água turva, mais transparente do Rio Iguaçu, para uma águas preta e espessa que mais se assemelhava a "óleo de motor ou petróleo" é o cheiro era insuportável, difícil de respirar que incomodava bastante e toda hora comentávamos.
Partindo dali, percebemos as margens cada vez mais assoreadas e afunilando o rio, com "praias de lama" cada vez mais extensas e na chegada a Baia da Guanabara, um cenários lindo de se ver, mas por outro lado, triste com uma paisagem assustadora de "um paredão de areia e lama" a nossa frente. Naquele local, uma verdadeira "ilha de lama" gigantesca, difícil de ser medida, infelizmente não conseguimos levar um drone pra registar, onde não se via o fim dela, e isso também nas margens dos rios, paramos os 3 barcos ali, onde observamos, debatemos o assunto, fizemos registros e aprendemos um pouco com os pescadores que nos confidenciaram sobre o local.
Na oportunidade fiz algumas entrevistas, entre elas com o Prof. José Paulo Azevedo da COPPE/UFRJ que falou um pouco sobre os estudos da região, sobre a importância de nossa ida ao local, pra conhecer aquela realidade mais de perto e da participação da Transpetro no acompanhamento das ações do Projeto Iguaçu.
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| O jornalista e ambientalista Emanuel Alencar e Gilciney Gomes observam a chegada a Baía da Guanabara. Imagem: Mary Gomes |
O jornalista e ambientalista Emanuel Alencar, escritor do livro "Baía da Guanabara - Descaso e Resistência", que roda todo o Rio de Janeiro acompanha e participa de ações ambientais por todo canto e que já presenciou cenários de descasos. abusos e crimes ambientais de todos os tipos, ficou perplexo ao ver aquela realidade, e quando perguntei, se imaginava aquilo, presenciar aquele cenário, disse que não tinha nem noção que pudesse estar daquele jeito, tamanha avanço e proporção da coisa.
Segundo nos informou o Gilciney, figura conhecidíssima no meio da Pesca e dos jornalistas e canais de reportagem, tantas foram as entrevistas e matérias já gravadas sobre o assunto e aquela região, sempre denunciando o fato e buscando solução pra questão, que não é recente, pelo contrário, segundo ele são décadas de abandono e desinteresse das autoridades em sanar a coisa, parece mais ser um trecho invisível do Rio de Janeiro apesar de outros projetos terem sido realizados na Baixada Fluminense anteriormente ao Projeto Iguaçu como o Baixada Viva, Reconstrução Rio e PDBG (Projeto de Despoluição da Baía da Guanabara), este trecho nunca foi contemplado, nem pela 1ª fase do Projeto Iguaçu, mas que agora sofrerá intervenções finalmente, entretanto o Prof. José Paulo lembra, as ações não irão acabar com todo aquele assoreamento, mas parte dele que visa melhorar o escoamento das águas das chuvas, já a outra parte, bem maior (ilha de lama) não há previsão de solução cabendo o empenho dos representantes do Controle Social do Projeto Iguaçu, do Movimento Social Organizado, do Comitês de Bacia não deixar a cosia cair no esquecimento, mas incluí-la nos debates, sempre que possível, a fim de seja colocada na pauta de avaliação e quem sabe futuramente no escopo das ações a serem realizadas.
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| Gilciney Gomes mostra ponto exato do despejo de chorume oriundo do antigo Aterro sanitário do Gramacho no Rio Sarapui em Duque de Caxias. Imagem: Mary Gomes |
Realmente foi uma experiência única em minha vida e marcante e as informações colhidas serão utilizadas para subsidiar nossas pautas de discussões sobre as ações necessárias para promover o sucesso do Projeto Iguaçu, e consequentemente a diminuição da intensidade das enchentes na baixada, principalmente agora com o aumento da intensidade dos eventos extremos causados pelas Mudanças Climáticas que tem impactado todo mundo. Sou Grato a Deus pela oportunidade.
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| Grupo que participou da expedição da partindo da esquerda Emanuel Alencar, Prof. José Paulo, Massami Saito, Rogerio Gomes, Paulo Cesar, Gilciney Gomes, Everton e Marcelo. Imagem: Mary Gomes |




