Expedição | Rio Iguaçu, Rio Sarapuí e Baía da Guanabara "Perspectivas para o Controle Social do Projeto Iguaçu"

Imagem de capa: Mary Gomes

EXPEDIÇÃO - No dia 6 de dezembro de 2025, um grupo de lideranças ligadas ao Projeto Iguaçu se reuniram  para uma atividade diferenciada, eles se encontraram em Duque de Caxias, mas especificamente na Ponte da REDUC sobre o Rio Iguaçu, localizada na Rodovia Washington Luiz em Campos Elísios.

A missão era nobre, fazer uma vistoria mais de perto, para saber como anda a situação tanto da Foz do Rio Iguaçu, como também a do Rio Sarapuí na Chegada a Baía da Guanabara, região prevista para receber ações do Projeto Iguaçu Novo PAC, a partir de abril de 2026. 

Segundo Rogerio Gomes, que fez parte do CAO/Rio Iguaçu na 1ª fase do Projeto Iguaçu em 2009, muito se falava daquele local nas reuniões e de sua suma importância para a boa drenagem dos Rios da Baixada, neste caso os Rios Iguaçu, Sarapuí e do Rio Botas, que é um afluente do Rio Iguaçu e que drenam boa parte dos municípios de Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis, São João de Meriti, Belford Roxo e Duque de Caxias. Prof. Paulo Canedo da COPPE/UFRJ sempre orientou que mesmo que os munícipios a montante destes rios, fizessem o "dever de casa", ou seja, fizessem as obras em seus territórios, se aquele trecho estivesse assoreado iria comprometer todo o resto e consequentemente impactar no resultado final pois somando o fator assoreamento da Foz desses rios e o desse trecho iria causar um gargalo que retardaria a saída dessas aguas para a Baia da Guanabara, piorando a situação ainda mais, se nessa ocasião a baia estiver em época de maré alta, que normalmente da retorno das águas destes rios em até 15 KM, PREJUDICANDO CONSIDERAVELMENTE a drenagem da região em época de fortes chuvas como já mostraram inúmeras reportagens e estudos técnicos.

Mary Gomes fez os registros de imagens da expedição. Foto: Rogerio Gomes


Pelo trajeto pudemos perceber o avançado estado de assoreamento com as margens tomadas por "praias de lama, lixo e óleo", onde se vê de tudo, camas boiando, muitos pneus, carcaça de maquinas de lavar, garrafas, que por sinal até vimos uma pescador com seu barco recolhendo recicláveis, que segundo o Sr. Gilciney Gomes Presidente da Colônia de Pesca de Duque de Caxias, que nos guiou nessa expedição, fazem isso pra complementar sua renda, já que devido ao assoreamento dos rios e a poluição, a atividade de pesca ficou ainda mais escassa e difícil, pois eles ( os pescadores) precisam esperar a maré alta para poderem passar com seus barcos a cerca de "um palmo de água" do solo, pasmem, quase ficando encalhados, dai seguem para a Ilha do Governador e redondezas onde fazem a pesca e aguardam a maré subir novamente para passarem pelo trecho e seguir pra casa, atividade que pode ser feita até mesmo nas madrugadas, se quiserem chegar em casa. Que luta ein!

Assista o Vídeo da Expedição:

     

Chamaram a atenção duas coisas, ou momentos, a primeira foi o encontro dos Rios Iguaçu e Sarapuí, onde percebemos logo de cara a cor da água que mudou drasticamente saindo de uma água turva, mais transparente do Rio Iguaçu, para uma águas preta e espessa que mais se assemelhava a "óleo de motor ou petróleo" é o cheiro era insuportável, difícil de respirar que incomodava bastante e toda hora comentávamos.

Partindo dali, percebemos as margens cada vez mais assoreadas e afunilando o rio, com "praias de lama" cada vez mais extensas e na chegada a Baia da Guanabara, um cenários lindo de se ver, mas por outro lado, triste com uma paisagem assustadora de "um paredão de areia e lama" a nossa frente. Naquele local, uma verdadeira "ilha de lama" gigantesca, difícil de ser medida, infelizmente não conseguimos levar um drone pra registar, onde não se via o fim dela, e isso também nas margens dos rios, paramos os 3 barcos ali, onde observamos, debatemos o assunto, fizemos registros e aprendemos um pouco com os pescadores que nos confidenciaram sobre o local.

Na oportunidade fiz algumas entrevistas, entre elas com o Prof. José Paulo Azevedo da COPPE/UFRJ que falou um pouco sobre os estudos da região, sobre a importância de nossa ida ao local, pra conhecer aquela realidade mais de perto e da participação da Transpetro no acompanhamento das ações do Projeto Iguaçu.

O jornalista e ambientalista Emanuel Alencar e  Gilciney Gomes observam a chegada a Baía da Guanabara. 
Imagem: Mary Gomes

O jornalista e ambientalista Emanuel Alencar, escritor do livro "Baía da Guanabara - Descaso e Resistência", que roda todo o Rio de Janeiro acompanha e participa de ações ambientais por todo canto e que já presenciou cenários de descasos. abusos e crimes ambientais de todos os tipos, ficou perplexo ao ver aquela realidade, e quando perguntei, se imaginava aquilo, presenciar aquele cenário, disse que não tinha nem noção que pudesse estar daquele jeito, tamanha avanço e proporção da coisa.

Segundo nos informou o Gilciney, figura conhecidíssima no meio da Pesca e dos jornalistas e canais de reportagem, tantas foram as entrevistas e matérias já gravadas sobre o assunto e aquela região, sempre denunciando o fato e buscando solução pra questão, que não é recente, pelo contrário, segundo ele são décadas de abandono e desinteresse das autoridades em sanar a coisa, parece mais ser um trecho invisível do Rio de Janeiro apesar de outros projetos terem sido realizados na Baixada Fluminense anteriormente ao Projeto Iguaçu como o Baixada Viva, Reconstrução Rio e PDBG (Projeto de Despoluição da Baía da Guanabara), este trecho nunca foi contemplado, nem pela 1ª fase do Projeto Iguaçu, mas que agora sofrerá intervenções finalmente, entretanto o Prof. José Paulo lembra, as ações não irão acabar com todo aquele assoreamento, mas parte dele que visa melhorar o escoamento das águas das chuvas, já a outra parte, bem maior (ilha de lama) não há previsão de solução cabendo o empenho dos representantes do Controle Social do Projeto Iguaçu, do Movimento Social Organizado, do Comitês de Bacia não deixar a cosia cair no esquecimento, mas incluí-la nos debates, sempre que possível, a fim de seja colocada na pauta de avaliação e quem sabe futuramente no escopo das ações a serem realizadas.

Gilciney Gomes mostra ponto exato do despejo de chorume oriundo do antigo Aterro sanitário do Gramacho no Rio Sarapui
em Duque de Caxias. Imagem: Mary Gomes

Na volta ainda demos uma parada num certo trecho do Rio Sarapuí, próximo ao antigo Aterro Sanitário do Gramacho, onde o Gilciney nos mostrou o local exato onde o "chorume" desce e é despejado no rio contaminando drasticamente o afluente, que já está praticamente morto, dificultando a vida dos animais que tentam sobreviver em meio a tanta poluição. No caminho vimos algumas, capivaras, alguns poucos caranguejos em meio a lama e aves exóticas, mas os jacarés do tipo papo amarelo, só saem a noite segundo os pescadores.

Realmente foi uma experiência única em minha vida e marcante e as informações colhidas serão utilizadas para subsidiar nossas pautas de discussões sobre as ações necessárias para promover o sucesso do Projeto Iguaçu, e consequentemente a diminuição da intensidade das enchentes na baixada,  principalmente agora com o aumento da intensidade dos eventos extremos causados pelas Mudanças Climáticas que tem impactado todo mundo. Sou Grato a Deus pela oportunidade.

Grupo que participou da expedição da partindo da esquerda Emanuel Alencar, Prof. José Paulo, Massami Saito,
Rogerio Gomes, Paulo Cesar, Gilciney Gomes, Everton e Marcelo. Imagem: Mary Gomes

Participaram da Expedição:

Rogerio Gomes | CAO/Rio Iguaçu - Fórum Regional de Participação e Controle Social do Projeto Iguaçu
Prof. José Paulo | COPPE/UFRJ
Emanuel Alencar | Jornalista/Ambientalista/Escritor
Massami Saito | Gestora Ambiental/Pesquisadora/UFRJ
Mary Gomes | Cinegrafista
Gilciney Gomes | Pres. da Colônia de Pesca de Duque de Caxias
Everton | Pescador
Paulo Cesar | Pescador
Marcelo | Pescador

Confira o álbum de fotos: Clique Aqui

Por: Rogerio Gomes
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Rogerio Gomes - Controle Social Projeto Iguaçu/PAC

Ex-coordenador Geral da Comissão Executiva do Fórum Regional de Controle Social do Projeto Iguaçu/PAC e Representante do CAO/LOTE XV - Comitê de Acompanhamento e Fiscalização das Obras do Projeto Iguaçu na Região do Rio Iguaçu - Bairro Lote XV - Belford Roxo - RJ - BRASIL

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